Porto Velho entre as dez cidades com maior número de queimadas, e deve piorar

29/09/2017 - 11:46 hs

No ranking das dez cidades que mais registram focos de queimadas está Porto Velho, perdendo apenas para as cidades de São Félix do Xingu e Altamira, ambas do estado do Pará.

Nesta sexta-feira, 29, a capital rondoniense contabilizava 3.711 focos de incêndio (anual). A Secretaria Municipal do Meio Ambiente disponibiliza os números 0800- 647- 1320 e o 9 9374-8556 para denúncias ou pedido de informações.

Rondônia

Rondônia registrou um aumento de 27% em comparação ao ano passado. Em setembro de 2016, foram 4.238 focos, em 2017, 5.392 focos de queimadas.

Em todo o estado, as cidades de Porto Velho e Nova Mamoré são os municípios com o maior número de focos em ambos os anos (2017 e 2016). Em setembro de 2016, Porto Velho registou 1.432 focos, e 2017 já somam 1.467. Nova Mamoré contabilizou 367 focos em setembro de 2016, já em 2017 o número praticamente dobrou com 662 focos.

Recorde/Brasil

Matéria divulgada pela Folha de São Paulo mostra que este ano o Brasil vem batendo recordes de queimadas. Só nos primeiros 27 dias de setembro, o sistema de monitoramento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) já identificou 105 mil focos de incêndio, recorde desde que o instituto começou a monitorá-los, em 1998.Em setembro de 2016, foram 44 mil focos. A média para o mês é 55 mil.

O acumulado de janeiro a setembro também é o maior da série histórica, com 195 mil focos, 51% a mais que 2016. "Nessa época do ano, praticamente 100% dos incêndios são causados por ação humana", diz Gabriel Zacharias, coordenador do Prevfogo, órgão do Ibama de prevenção e combate às queimadas.

Causas

"A intensidade, a expansão, o impacto na vegetação, a dificuldade de combate, tudo isso tem relação com o clima seco e ajuda a propagar o incêndio florestal. Mas isso não começa o fogo, o que começa é a ação humana", diz. Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe, elenca uma série de causas, como facilitar a derrubada de florestas, dar fim à matéria orgânica, impedir que a vegetação renasça e criar pastos.

Cita também conflitos territoriais, descontrole no manejo de plantações e queima de lixo. Não raro, queimadas também são provocadas por fogueiras de caçadores e pessoas que acampam, além de acidentes com automóveis.

E por que este ano é o pior? Pesquisadora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA, Cláudia Ramos, diz que "há uma tendência histórica de que toda vez em que há uma baixa na economia, que o governo fica sem recursos, as ações de comando e controle ficam desfalcadas". Com uma fiscalização menor, as pessoas ficam menos inibidas a iniciar as queimadas, diz.

"O mais importante é não colocar a culpa na seca, que acontece há anos, com maior ou menos intensidade. Enquanto não houver uma fiscalização que consiga dar conta desse monte de queimadas, a gente vai lidar com incêndios florestais. E no ano que vem você vai me ligar de novo para saber por que os incêndios aumentaram", diz.

Setzer, do Inpe, concorda, e não vislumbra uma melhora no cenário nos próximos meses. "Aqui no Sudeste, logo começa a época de chuvas e a tendência é que diminua o número de queimadas. No sul do Pará e em outros lugares, o pico é em outubro." 

Fonte: Folha de São Paulo

Edição: Rondoniaovivo

 


Fonte: Folha de São Paulo